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Série: A Tradição-Sabedoria - Cap.01


Série de textos comentando cada um dos capítulos do livro A Tradição-Sabedoria dos autores Ricardo Lindemann e Pedro Oliveira.                                                                                                   Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Série de textos comentando cada um dos capítulos do livro A Tradição-Sabedoria dos autores Ricardo Lindemann e Pedro Oliveira. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

A Contradição Humana e o Desafio do Autoconhecimento


Uma análise filosófica sobre hábitos, condicionamentos e liberdade interior


Introdução


O texto analisado parte de uma constatação simples e, ao mesmo tempo, profundamente inquietante: o ser humano vive em contradição. Embora fale de fraternidade, paz e amor, sustenta sistemas baseados na violência, na desigualdade e na autodestruição. Essa incoerência não é apresentada apenas como um problema social ou político, mas como o reflexo de uma contradição interior não resolvida, que se manifesta tanto no indivíduo quanto na coletividade.


1 - A contradição humana como fenômeno interior e coletivo


A sociedade reproduz, em escala ampliada, os mesmos mecanismos de medo, ambição, desejo de poder e insegurança que operam no indivíduo.                                             Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
A sociedade reproduz, em escala ampliada, os mesmos mecanismos de medo, ambição, desejo de poder e insegurança que operam no indivíduo. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Logo no início, o texto evidencia o paradoxo da civilização moderna:


apesar de possuir recursos técnicos, científicos e econômicos suficientes para eliminar a miséria, a fome e grande parte do sofrimento humano, a humanidade escolhe investir em armamentos, guerras e sistemas de dominação.


Essa escolha revela que o problema não é material, mas psicológico.


A sociedade reproduz, em escala ampliada, os mesmos mecanismos de medo, ambição, desejo de poder e insegurança que operam no indivíduo.


Guerras, terrorismo e violência não são aberrações isoladas, mas expressões organizadas da contradição interna do ser humano.                                                   Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Guerras, terrorismo e violência não são aberrações isoladas, mas expressões organizadas da contradição interna do ser humano. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Assim, guerras, terrorismo e violência não são aberrações isoladas, mas expressões organizadas da contradição interna do ser humano.


A contradição humana não é um acidente histórico nem uma falha pontual da civilização, mas a expressão direta de um conflito interior não resolvido.


A sociedade apenas amplia, em escala coletiva, os mesmos medos, desejos e inseguranças do indivíduo.


Como o próprio texto sugere, a violência externa é reflexo da violência interior, pois o mundo é o espelho ampliado da mente humana contraditória.


2 - Poder externo e ausência de autodomínio


A busca obsessiva por poder externo, político, econômico ou religioso, nasce da incapacidade de autodomínio.          Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
A busca obsessiva por poder externo, político, econômico ou religioso, nasce da incapacidade de autodomínio. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Um dos argumentos centrais do texto é que a busca obsessiva por poder externo — político, econômico ou religioso — nasce da incapacidade de autodomínio.


O ser humano tenta controlar o mundo porque não consegue governar a si mesmo.


Sem autoconhecimento, não há autocontrole verdadeiro. Toda tentativa de impor ordem externamente, sem resolver o conflito interior, está fadada ao fracasso ou à repetição da violência sob novas formas. A força, quando usada para “impor a paz”, apenas perpetua o ciclo de contradição.


Sem autoconhecimento, não há controle real das emoções, desejos e impulsos, o que torna qualquer autoridade externa instável e violenta.                                 Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Sem autoconhecimento, não há controle real das emoções, desejos e impulsos, o que torna qualquer autoridade externa instável e violenta. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Este tópico aprofunda a ideia de que a busca por poder externo nasce da incapacidade de governar a si mesmo.


O texto demonstra que a imposição de força, seja política, econômica ou religiosa, é uma tentativa de compensar a falta de autodomínio interior.


Sem autoconhecimento, não há controle real das emoções, desejos e impulsos, o que torna qualquer autoridade externa instável e violenta.


A obra sintetiza essa ideia ao afirmar que não se pode dominar o mundo sem antes dominar a própria mente, apontando o autodomínio como condição para a verdadeira ordem.


3 - O papel fundamental do autoconhecimento


Nosso reflexo, muitas das vezes é, na verdade, um conjunto de hábitos automáticos, condicionados pelo passado, pela educação, pela cultura e pela repetição inconsciente de padrões mentais.                                                  Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Nosso reflexo, muitas das vezes é, na verdade, um conjunto de hábitos automáticos, condicionados pelo passado, pela educação, pela cultura e pela repetição inconsciente de padrões mentais. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O texto resgata a tradição filosófica e espiritual que, desde Sócrates e Buddha, afirma o autoconhecimento como base de toda sabedoria.


Conhecer a si mesmo não significa acumular informações psicológicas ou filosóficas, mas observar diretamente o funcionamento da própria mente, emoções e ações.


Grande parte do que o ser humano acredita ser sua identidade é, na verdade, um conjunto de hábitos automáticos, condicionados pelo passado, pela educação, pela cultura e pela repetição inconsciente de padrões mentais.


Aqui o texto estabelece o autoconhecimento como base de toda mudança real e duradoura. Não se trata de um saber intelectual ou teórico, mas de uma investigação direta da própria mente, emoções e ações. Enquanto o indivíduo não se conhece, permanece escravo de hábitos e condicionamentos. Como indica o texto, “a liberdade não nasce da acumulação de saber, mas da compreensão de si”.


4 - Hábitos mentais, condicionamentos e funcionamento do cérebro


Cada pensamento recorrente ativa determinados circuitos neuronais, fortalecendo-os, enquanto outros permanecem inativos.                                     Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Cada pensamento recorrente ativa determinados circuitos neuronais, fortalecendo-os, enquanto outros permanecem inativos. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O autor explica como os hábitos se formam a partir da repetição de pensamentos, emoções e ações.


Cada pensamento recorrente ativa determinados circuitos neuronais, fortalecendo-os, enquanto outros permanecem inativos. Assim, a repetição cria automatismos que passam a governar o comportamento humano.


Esses hábitos não são apenas comportamentais, mas profundamente psicológicos.


Emoções como ódio, medo, tristeza ou depressão, quando nutridas pelo pensamento, ganham força, profundidade e duração, tornando-se estados difíceis de serem dissolvidos.


O pensamento repetido cria trilhos na mente.                                                   Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
O pensamento repetido cria trilhos na mente. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O texto relaciona esse processo ao funcionamento do cérebro, mostrando que circuitos mentais reforçados tornam-se dominantes.


Assim, a personalidade muitas vezes não passa de um conjunto de reações condicionadas pelo passado.


O autor observa que o pensamento repetido cria "trilhos na mente”, evidenciando como o condicionamento limita a liberdade interior e sustenta a contradição humana.



5 - O conflito entre mente, emoção e corpo


Platão, filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental.                                Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Platão, filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O texto mostra que o ser humano não é um bloco homogêneo, mas um campo de forças internas frequentemente conflitantes.


A vontade da mente racional;

A vontade emocional; e

A vontade do corpo nem sempre coincidem.


"Comecemos por representar a alma sob a forma de uma força alada, composta por uma parelha de cavalos e um cocheiro. [...] Um dos cavalos é nobre e de raça nobre, o outro é o oposto em raça e caráter. A condução é, portanto, necessariamente difícil e problemática para nós."

— Platão, Fedro, 246a-b.



Platão ensina a divisão da alma através da representação simbólica da alegoria da carruagem.                               Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Platão ensina a divisão da alma através da representação simbólica da alegoria da carruagem. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Platão divide a alma em partes, evidenciando essa multiplicidade interna. Essa teoria é apresentada com maior destaque nos diálogos A República (Livro IV) e Fedro, onde usa a alegoria da carruagem.


Parte Racional (Logistikón): Sede da razão, do conhecimento e da busca pela verdade. Deve governar as outras partes.


Parte Irascível ou Colérica (Thymoeides):

Sede das emoções nobres, como a coragem, a ira justa e a vontade. Ajuda a razão a controlar os apetites.


Parte Apetitiva ou Concupiscível (Epithymetikon): Sede dos desejos materiais, apetites corporais, prazeres físicos e fome.


No Oriente é expressa a mesma ideia por meio de metáforas em alguns textos védicos. Um exemplo clássico é a carruagem do Katha Upanishad (1.3.3-1.3.4).


Como a maioria das escrituras védicas antigas, ele faz parte da tradição oral da Índia, composta entre 800 e 500 a.C. e atribuída à sabedoria coletiva de sábios (rishis). Da mesma forma a Katha Upanishad (ou Kaṭhopaniṣad) não possui um autor único ou individual conhecido.                                                 Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Como a maioria das escrituras védicas antigas, ele faz parte da tradição oral da Índia, composta entre 800 e 500 a.C. e atribuída à sabedoria coletiva de sábios (rishis). Da mesma forma a Katha Upanishad (ou Kaṭhopaniṣad) não possui um autor único ou individual conhecido. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

A carruagem do Katha Upanishad (1.3.3-1.3.4) — conhecida como Ratha Kalpana ou a Analogia da Carruagem — para descrever a estrutura da alma humana, sua relação com o corpo e o caminho para a autorrealização.


A metáfora estratifica a constituição do ser humano, diferenciando o verdadeiro Ser (Atman) dos instrumentos que ele utiliza (mente, sentidos, corpo).                              Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
A metáfora estratifica a constituição do ser humano, diferenciando o verdadeiro Ser (Atman) dos instrumentos que ele utiliza (mente, sentidos, corpo). Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Nessa metáfora é representado que que os sentidos, a mente e o intelecto precisam estar em harmonia para que o ser alcance seu destino.


Esta metáfora não divide a alma em si, mas sim estratifica a constituição do ser humano, diferenciando o verdadeiro Ser (Atman) dos instrumentos que ele utiliza (mente, sentidos, corpo).


Essa falta de integração explica por que muitas vezes sabemos o que é correto, mas não conseguimos agir de acordo com esse conhecimento.


O texto aprofunda a compreensão da natureza humana ao mostrar que o indivíduo é atravessado por múltiplas vontades internas.


A mente racional, as emoções e o corpo nem sempre caminham em harmonia, gerando conflitos internos constantes.


A referência a Platão e às tradições orientais reforça a ideia de que essa divisão é conhecida há milênios.


O autor sintetiza essa condição ao afirmar que o homem deseja uma coisa, sente outra e faz uma terceira, revelando a raiz do sofrimento psicológico.



6 - Pensamento, emoção e identificação


O sofrimento psicológico é subjetivo e existe apenas enquanto dura a identificação. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
O sofrimento psicológico é subjetivo e existe apenas enquanto dura a identificação. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

Um ponto crucial do texto é a noção de identificação.


O sofrimento psicológico surge quando o indivíduo se identifica com seus pensamentos, emoções e imagens mentais, acreditando que eles são sua verdadeira identidade.


O texto afirma que “o sofrimento psicológico é subjetivo e existe apenas enquanto dura a identificação", esclarecendo que a dor mental não é inerente ao ser, mas construída pela mente.


O exemplo do Cinema dado pelo autor: sabemos racionalmente que o filme é fictício, mas, enquanto estamos identificados com a narrativa, reagimos emocionalmente como se fosse real. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
O exemplo do Cinema dado pelo autor: sabemos racionalmente que o filme é fictício, mas, enquanto estamos identificados com a narrativa, reagimos emocionalmente como se fosse real. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O autor usa o exemplo do cinema ou da televisão: sabemos racionalmente que o filme é fictício, mas, enquanto estamos identificados com a narrativa, reagimos emocionalmente como se fosse real.


Da mesma forma, o sofrimento psicológico é real enquanto dura a identificação, embora seja subjetivo e não essencial.


Neste ponto, o texto mostra que o sofrimento psicológico nasce da identificação da consciência com pensamentos, emoções e imagens mentais.


Quando a identificação cessa, o sofrimento perde força.


O texto afirma que “o sofrimento psicológico é subjetivo e existe apenas enquanto dura a identificação”, esclarecendo que a dor mental não é inerente ao ser, mas construída pela mente.


7 - Técnicas de transformação: substituição e desidentificação


Técnica inicial e segura, que consiste em substituir pensamentos pesados por pensamentos mais leves. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Técnica inicial e segura, que consiste em substituir pensamentos pesados por pensamentos mais leves. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O texto apresenta duas abordagens principais para lidar com os estados mentais perturbadores:


1 - Substituição – técnica inicial e segura, que consiste em substituir pensamentos pesados por pensamentos mais leves, redirecionando a atenção antes que o estado emocional se fortaleça.


A técnica da substituição consiste em redirecionar conscientemente a atenção da mente quando um pensamento ou emoção pesada começa a se formar, evitando que ele se fortaleça por repetição.


Em vez de lutar contra o estado mental indesejado — o que apenas o reforçaria — a mente é ocupada por um pensamento mais leve, nobre ou equilibrado, rompendo o circuito habitual.


Como o texto enfatiza, pensamentos se nutrem da atenção que recebem; ao retirá-la, eles perdem força gradualmente. Trata-se, portanto, de um método prático de autodomínio inicial, seguro e eficaz para mentes ainda em processo de disciplina.


Técnica mais profunda, que exige uma mente mais preparada, capaz de observar pensamentos e emoções sem se identificar com eles.                              Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Técnica mais profunda, que exige uma mente mais preparada, capaz de observar pensamentos e emoções sem se identificar com eles. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

2 - Desidentificação ou plena atenção – técnica mais profunda, que exige uma mente mais preparada, capaz de observar pensamentos e emoções sem se identificar com eles.


A desidentificação, ou plena atenção, é uma técnica mais profunda que consiste em observar pensamentos, emoções e impulsos sem se confundir com eles.


Nessa atitude, a consciência permanece desperta e silenciosa, reconhecendo os conteúdos mentais como fenômenos transitórios, e não como o verdadeiro “eu”.



O autor alerta para os riscos de tentar práticas avançadas sem a devida maturidade psicológica, pois a imaginação indisciplinada pode reforçar a identificação em vez de dissolvê-la. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
O autor alerta para os riscos de tentar práticas avançadas sem a devida maturidade psicológica, pois a imaginação indisciplinada pode reforçar a identificação em vez de dissolvê-la. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O texto ressalta que o sofrimento psicológico surge da identificação inconsciente com essas projeções da mente; ao observá-las sem apego, elas naturalmente se dissolvem.


Essa prática exige maior maturidade interior, pois permite acessar diretamente a liberdade e a clareza da consciência não condicionada.


O autor alerta para os riscos de tentar práticas avançadas sem a devida maturidade psicológica, pois a imaginação indisciplinada pode reforçar a identificação em vez de dissolvê-la.


O autor apresenta duas abordagens para lidar com estados mentais perturbadores: a substituição e a desidentificação.


A substituição é indicada como técnica inicial e segura, enquanto a desidentificação exige maior maturidade psicológica.


O texto alerta para os riscos de práticas avançadas sem preparo adequado, destacando que a imaginação descontrolada pode reforçar o sofrimento. Como ensina o Yoga-Sūtra Patañjali — Yoga-Sūtra II.33 (pratipakṣa-bhāvanam): “quando a mente é perturbada, a ponderação sobre os opostos é o remédio” .


8 - Meditação, serenidade da mente e liberdade


A meditação é apresentada não como fuga da realidade, mas como um meio de aquietar a mente para que a consciência possa perceber sua própria natureza.  Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
A meditação é apresentada não como fuga da realidade, mas como um meio de aquietar a mente para que a consciência possa perceber sua própria natureza. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

A meditação é apresentada não como fuga da realidade, mas como um meio de aquietar a mente para que a consciência possa perceber sua própria natureza.


Quando a mente se torna serena, o indivíduo passa a distinguir entre o essencial e o ilusório.


A felicidade, segundo o texto, não vem de objetos externos, mas do reconhecimento da própria natureza interior.






Quando a mente se serena, o indivíduo distingue entre o essencial e o ilusório, libertando-se da busca compulsiva por satisfação externa.                                                           Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
Quando a mente se serena, o indivíduo distingue entre o essencial e o ilusório, libertando-se da busca compulsiva por satisfação externa. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

A busca incessante por preenchimento externo é vista como uma projeção da mente, que gera frustração, dependência e conflito.


Quando a mente se serena, o indivíduo distingue entre o essencial e o ilusório, libertando-se da busca compulsiva por satisfação externa.


O texto afirma que “a felicidade não vem de fora, mas do interior”, apontando a meditação como instrumento de libertação da contradição e do sofrimento psicológico.



9 - Ignorância (avidyā) e libertação


Em consonância com a Tradição-Sabedoria, o texto afirma que a causa fundamental do sofrimento humano não é a ignorância do mundo externo, mas a ignorância de si mesmo (avidyā).


Patanjali, Śaṅkara, Buddha, Platão e mesmo o ensinamento cristão convergem na ideia de que o autoconhecimento é a chave da libertação.


A liberdade interior surge quando a mente deixa de se identificar com suas projeções e passa a viver no presente, onde a realidade é percebida sem distorções. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
A liberdade interior surge quando a mente deixa de se identificar com suas projeções e passa a viver no presente, onde a realidade é percebida sem distorções. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

A liberdade interior surge quando a mente deixa de se identificar com suas projeções e passa a viver no presente, onde a realidade é percebida sem distorções.


O texto conclui seu desenvolvimento conceitual afirmando que a ignorância fundamental do ser humano é o desconhecimento de si mesmo, e não do mundo externo.


Em consonância com Patanjali, Śaṅkara, Buddha, Platão e o ensinamento cristão, a obra afirma que o autoconhecimento conduz à libertação. Como sintetiza o texto, “conhecer a si mesmo é romper o último elo da contradição”, pois somente a consciência desperta pode dissolver o sofrimento.



Conclusão


A contradição humana não pode ser resolvida por reformas externas, sistemas políticos ou avanços tecnológicos. Ela só pode ser dissolvida por meio do autoconhecimento, da observação consciente e da liberdade da mente. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.
A contradição humana não pode ser resolvida por reformas externas, sistemas políticos ou avanços tecnológicos. Ela só pode ser dissolvida por meio do autoconhecimento, da observação consciente e da liberdade da mente. Imagem do Cantinho dos Anciãos criada por i.a.

O texto conduz o leitor a uma conclusão inequívoca: a contradição humana não pode ser resolvida por reformas externas, sistemas políticos ou avanços tecnológicos.


Ela só pode ser dissolvida por meio do autoconhecimento, da observação consciente e da liberdade da mente.


Enquanto o ser humano permanecer identificado com hábitos, desejos e imagens mentais, continuará reproduzindo o conflito interior no mundo externo.


A verdadeira transformação é silenciosa, profunda e individual — mas seus efeitos se estendem inevitavelmente ao coletivo.


A sabedoria nasce quando a mente se aquieta, a consciência se amplia e o ser humano passa a viver de acordo com sua verdadeira natureza.



Amor, Luz e Paz agora e sempre!

Salve a Grande Luz!




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Ruan Fernandes

Equipe Cantinho dos Anciãos




Referências:


LINDEMANN, Ricardo; OLIVREIRA, Pedro. A Tradição-Sabedoria. Brasília: Editora Teosófica, [ano da edição utilizada]. – Capítulo 1: “A contradição humana”.

PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.

PLATÃO. Fedro. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Belém: Editora UFPA, 2007.

UPANISHADS. As Principais Upanishads. Tradução e comentários de S. Radhakrishnan. Londres: George Allen & Unwin, 1953.

ZIMMER, Heinrich. Filosofias da Índia. Tradução de Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Palas Athena, 2009.

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