top of page

Sabedorias dos Pretos Velhos: Ensinamentos de Humildade e Simplicidade dos Vovôs e Vovós

Atualizado: 18 de jul. de 2025



“Do Coração para as Mãos; e

das Mãos para todos os Irmãos”

Vovó Maria Redonda



1. Introdução: Quem são os Pretos Velhos


Os Pretos Velhos são entidades espirituais profundamente respeitadas nas tradições da Umbanda e, também, cada vez mais, são reconhecidas em vertentes do Espiritismo brasileiro. Manifestam-se com a aparência simbólica de antigos negros escravizados, e carregam, em sua fala mansa e olhar compassivo, uma sabedoria ancestral que toca o coração dos aflitos. Suas lições são dirigidas não à aparência, ao saber acadêmico ou à posição social, mas ao espírito imortal que busca evolução, consolo e sentido.


Apesar das marcas da dor e da opressão em suas histórias vividas em encarnações passadas, os Pretos Velhos ensinam com alegria, fé e amor.



"Eles não falam com revolta, mas com misericórdia.

Não exigem, apenas aconselham.

Não impõem, apenas acolhem.

Sua força está na ternura; e

Sua luz, na paciência.

É nessa simplicidade despretensiosa que reside a profundidade de seus ensinamentos espirituais:

uma sabedoria silenciosa que convida ao autoconhecimento, ao perdão e à caridade."

- Equipe Cantinho dos Anciãos

 




2. A Sabedoria da Humildade que acolhe e ampara e a simplicidade que orienta e guia


2.1 – A Força no Recolhimento:


"quem sabe muito, cala... e quem não sabe, fala alto"


Lao Zi (Lao Tze - 老子) ou Shlomo (Salomão - שְׁלֹמֹה) ou Um Mestre Ancião


Humildade, segundo os Pretos Velhos, não é submissão cega, nem anulação do ser. É a consciência tranquila de que somos todos aprendizes no caminho evolutivo. Eles ensinam que o verdadeiro sábio não se envaidece de seu saber, pois sabe que tudo vem de Deus e que o orgulho apenas atrasa a caminhada espiritual. A humildade permite ouvir, perdoar e caminhar com serenidade em meio às adversidades.

Em suas falas, os Pretos Velhos costumam repetir que "quem sabe muito, cala... e quem não sabe, fala alto". Essa máxima resume bem a pedagogia do silêncio e da escuta ativa que promovem. A humildade é o solo fértil onde germina a caridade verdadeira, pois somente aquele que se coloca no lugar do outro, sem julgamentos, pode servir de forma plena. Eles nos recordam que o Cristo lavou os pés de seus discípulos, mostrando que o maior é o que serve.

 

2.2 - A Simplicidade como Caminho Espiritual:

Quadro Preta Velha do Pintor Brasileiro Vicente Caruso, início do séc. XX.
Quadro Preta Velha do Pintor Brasileiro Vicente Caruso, início do séc. XX.

"É no feijão com arroz de todo dia que se tempera o espírito"

Uma Vovó Preta Velha


A simplicidade, nos ensinamentos dos Pretos Velhos, não está associada à pobreza material, mas à leveza do espírito e à descomplicação dos desejos. O espírito simples é aquele que já compreendeu que os excessos do ego, da posse e da vaidade são pesos que dificultam o voo da alma. Por isso, eles falam com palavras simples, mas carregadas de sabedoria e força moral.

Em um mundo repleto de estímulos, consumo e imediatismo, os Pretos Velhos nos ensinam a desacelerar e retornar ao essencial: o amor, a gratidão, a paciência. Eles mostram que a espiritualidade não está no extraordinário, mas na capacidade de transformar o cotidiano em um ato de fé. "É no feijão com arroz de todo dia que se tempera o espírito", dizem. A simplicidade, assim, é um estado de alma.

 

3. Amor Incondicional e Perdão como Caminho de Libertação:


“a mágoa é nó no peito que só o amor desata”

De um Vovô Preto Velho ou Vovó Preta Velha


Um dos pilares do ensinamento dos Vovôs e Vovós, Pretos Velhos, é o perdão. Não um perdão racional e condicionado, mas o perdão que nasce do amor incondicional e da compreensão de que todos erramos e estamos em aprendizado. Eles nos recordam que guardar rancor é como carregar carvão em brasa: queima mais quem segura do que quem foi atingido. O perdão, segundo esses guias, liberta tanto quem perdoa quanto quem é perdoado.

Nas palavras doces de um Preto Velho, “a mágoa é nó no peito que só o amor desata”. Essa compreensão do perdão vai ao encontro do ensinamento cristão de Jesus, quando disse para amar os inimigos e orar por aqueles que nos perseguem. Eles não nos pedem para esquecer a dor, mas para transformá-la em aprendizado, para que a vida siga adiante sem o peso das correntes do passado.

 

4. O Valor do Trabalho Silencioso e da Paciência:


“Tudo tem seu tempo, fio... até o pé de café demora pra dar fruto, mas quando dá, adoça a alma.”

Uma Vovó Preta Velha


Os Pretos Velhos também são exemplos de trabalho silencioso e perseverante. Em suas manifestações, mesmo que simbólicas, continuam "trabalhando" — ou seja, aconselhando, curando, orientando espiritualmente, com extrema dedicação e humildade. Eles nos ensinam que o trabalho é uma forma de oração, desde que seja feito com amor e desprendimento.

A paciência, tão rara na agitação dos tempos modernos, é apresentada por eles como virtude fundamental para o crescimento espiritual. Eles repetem: “tudo tem seu tempo, fio... até o pé de café demora pra dar fruto, mas quando dá, adoça a alma.” Essa sabedoria nos convida a respeitar o tempo do outro, o tempo da vida e o tempo de Deus. O espírito impaciente quer colher sem plantar, quer chegar sem caminhar. Com eles, aprendemos a confiar.



“Os filhos, da terra, ainda não conseguem compreender a mensagem do silêncio, mentes agitadas pelos burburinhos... O silêncio, que a preta velha diz ao filho, é o silêncio que semeado no caminhos dos filhos, mostra a colheita da calma, dos bons pensamentos e do amor nas ações da vida.” - Vovó Benta

Desenho mediúnico da imagem de Vovó Catarina de Aruanda, por Kely Morgana B. de Lima
Desenho mediúnico da imagem de Vovó Catarina de Aruanda, por Kely Morgana B. de Lima






“O silêncio nos diz tantas coisas… será que o silêncio é mais forte do que o grito?... Para que ouça um grito é preciso antes estar em silêncio, da mesma forma, fio, você precisa silenciar para que sua alma possa ouvir o que diz Deus ao seu Coração!”

Vovó Catarina

 

Vovó Benta e Vovó Catarina trazem consigo o ensinamento da ação compassiva e a sabedoria do silêncio. Ambas enfatizam que a simplicidade no agir e no pensar é o caminho mais curto para se aproximar de Deus. Seus conselhos são como sementes de fé plantadas no coração daqueles que as escutam. São vovós que não utilizam palavras rebuscadas, mas sim o poder do exemplo, da ternura e do amor incondicional. Suas mensagens ecoam os princípios do Espiritismo, como o “amai-vos uns aos outros” e o “fora da caridade não há salvação”, revelando que a humildade não é apenas uma virtude moral, mas uma vibração espiritual que nos liga à Luz Maior.

 

5. A Fé e a Confiança em Deus: A Base da Esperança


“[...] fé é andar no escuro sabendo que tem luz mais pra frente”

Um Vovô Preto Velho


A fé que os Pretos Velhos ensinam não é a fé cega ou passiva, mas uma confiança ativa na justiça e na misericórdia divina. É uma fé que se constrói no dia a dia, mesmo em meio à dor e à escassez, mesmo quando tudo parece escuro. Com suas palavras serenas, eles ensinam que Deus não abandona ninguém, e que o sofrimento tem sempre um propósito educativo.

Eles nos dizem que a oração sincera vale mais do que o grito da aflição. Ensinaram que “fé é andar no escuro sabendo que tem luz mais pra frente”. Essa forma de ver a vida está alinhada com o pensamento espiritualista, que considera a fé raciocinada como base do progresso moral. Os Pretos Velhos nos lembram que, mesmo nas horas mais difíceis, o espírito jamais está só.

 

6. A Caridade como Ato de Amor:


“não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”

Senhor da Luz, em Mateus 6:13


 

"O fio que tem dó, carrega a dor do outro no coração."

"Fio, a humildade é a base da caridade e a caridade não se faz com palavras, mas com as atitudes como ensinou Oxalá."

"Fio, quem estende a mão para ajudar, recebe a bênção de Oxalá."

Frases de Vovôs e Vovós sobre a caridade




 

Paulo, o Apóstolo ensina em 1 Coríntios 13 que a caridade está acima de outras virtudes e dons espirituais e Allan Kardec, no Capítulo 15, item 10, do Evangelho Segundo o Espiritismo, resume dizendo: “Fora da Caridade não há salvação”.

Na Umbanda, como também no Espiritismo, a caridade é o exercício maior do espírito em evolução. Os Pretos Velhos praticam e ensinam a caridade de maneira profunda: acolher o aflito, ouvir sem julgar, oferecer um conselho com amor, acalmar o espírito atribulado. Caridade não é só doar bens; é doar-se. Os Pretos Velhos expandem esse conceito com a prática do "dar sem esperar", do "fazer o bem calado", como gostam de dizer. Eles nos mostram que um copo d’água com amor pode ter mais valor do que um banquete com orgulho. Sua caridade é despretensiosa, feita em silêncio, como Jesus recomendava: “não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”.

 

7. Sabedoria Ancestral e a Ligação com os Espíritos Superiores

AUMPRAM                                                                                                                                                       Imagem de vwalakte no Freepik
AUMPRAM Imagem de vwalakte no Freepik

Mesmo que sua imagem pública esteja associada a figuras simples e humildes, os Pretos Velhos representam uma classe de espíritos de elevada envergadura moral e sabedoria. Muitos, senão todos, se apresentam simples e humildes, mas foram profetas, monges, sacerdotes e magos da luz da Lemúria e da Atlântida, mestres e mestras de conhecimento que continuam servindo e nos guiando, com o seu caminhar, rumo a evolução para a Luz. A simplicidade de sua linguagem encobre uma profundidade espiritual e moral extraordinária. Não por acaso, viver o que já viveram, ouvir o que já ouviram, sentir o que já sentiram tantas vezes permitem a esses irmãos e irmãs de grande amor e sabedoria trazer os seus conselhos tão certeiros e adequados à necessidade de cada um.

A tradição da Umbanda os reconhece como mensageiros da Lei e da Misericórdia, trabalhando sob a supervisão de Orixás como Oxalá, sincretizado com o Cristo, o Senhor da Luz. Já no Espiritismo, compreende-se que são espíritos que já passaram por grandes provas e depurações, podendo, assim, ajudar os que ainda estão em estágios iniciais do aprendizado moral. Eles são pontes entre o mundo visível e invisível, entre o sofrimento humano e a consolação divina.

 

8. Ensinamentos de Vida para o Presente:

8.1 - A Espiritualidade na Prática Diária:


 

“Se a estrada é longa, fia, anda devagar, mas não para. É na caminhada que a alma se arruma”.

Uma Vovó Preta Velha

Os Pretos Velhos ensinam que espiritualidade verdadeira não é viver nas nuvens, mas caminhar com os pés no chão e o coração leve. A verdadeira elevação espiritual está em saber perdoar, escutar com atenção, renunciar ao orgulho, e encontrar beleza nas pequenas coisas da vida. Ensinaram que “quem sabe rezar, sabe viver”.

Eles nos recordam que a reforma íntima não é feita de grandes gestos, mas de pequenas decisões diárias. As grandes transformações se iniciam e se encontram nos detalhes da vida. Não julgar, falar menos e ouvir mais, ajudar sem mostrar. Cada ação cotidiana é oportunidade de transformação. Eles dizem: “Se a estrada é longa, fia, anda devagar, mas não para. É na caminhada que a alma se arruma”.

 

8.2 - A Luz da Humildade como Caminho para o Espírito:

 

“A alma que se enche de amor... vira luz... e alumia o mundo”.

Um Preto Velho

 

Os Pretos Velhos, com seu jeito manso e palavras doces, nos lembram que o caminho para Deus é pavimentado com humildade, amor e paciência. Eles não vieram para ser adorados, mas para ensinar, consolar e nos fazer lembrar que somos todos filhos de um mesmo Pai. Sua sabedoria não se impõe: toca, transforma e acalenta.

Neste mundo de ruídos, correrias e vaidades, os Pretos Velhos surgem como faróis espirituais, mostrando que a verdadeira força está na mansidão, que o verdadeiro saber está em reconhecer-se eterno aprendiz, e que o verdadeiro amor é aquele que se doa sem esperar. Ensinam que “quem aprende a se abaixar diante de Deus, nunca será humilhado pelos homens”.

Que possamos aprender com esses espíritos de luz a caminhar com mais leveza, olhar com mais compaixão e viver com mais fé, humildade e simplicidade. Como eles dizem: “a alma que se enche de amor vira luz e clareia o mundo”.

Nos textos de Robson Pinheiro, especialmente em Sabedoria de Preto Velho – Pai João de Aruanda, percebemos uma lição clara: humildade é saber trabalhar sem alarde e sem vaidade. Ele aconselha dizendo eu quando surgir um comentário a respeito de alguém, devemos abortá-lo imediatamente nos concentrando no trabalho, paciente e silenciosamente, para nos abrigar das fofocas. Nas palavras de Pai João:

Desenho mediúnico feito pelo médium Vilela, da Comunidade Espiritual do Vale do Amanhecer, fundado por Neiva Chávez Zelaya (Tia Neiva).
Desenho mediúnico feito pelo médium Vilela, da Comunidade Espiritual do Vale do Amanhecer, fundado por Neiva Chávez Zelaya (Tia Neiva).

“A vida ensina — explica ele. — Não compensa a gente dar prosseguimento a comentários maldosos, pois isso mina o trabalho do bem e traz discórdia para a comunidade. A verdade é como a espada de dois gumes — prossegue —, e mesmo que alguém diga algo que, para si, represente a verdade deve-se ter cuidado para que essa verdade não fira o nosso irmão. Cada um tem o seu momento certo. Portanto, aprendamos a abortar o mal pela raiz, não dando prosseguimento a fofocas. Dediquemos à verdade, ao trabalho incessante, sem desejar impor-nos a quem quer que seja. Trabalhando paciente e silenciosamente — completa Pai João de Aruanda. (PINHEIRO, 2007, p. 45)


Esse direcionamento espiritual convergente com os ensinamentos do Cristo reforça a ideia de que bons frutos vêm da persistência e do esforço anônimo pela superação ao aceitarmos o presente com humildade e permitindo-nos a evolução sem arrogância. Assim, Pai João nos ensina:


“Os pedregulhos na estrada, quando fixados indefinidamente pelo olhar, sob o calor do sol, costumam se multiplicar à visão do ser. Mas, se você recolher essas pedras, meu filho, terá adquirido experiências proveitosas, utilizando-as como base de alguma construção. As águas que descem em um rio caudaloso podem causar certos estragos ao longo do percurso ou ao redor das margens, contudo, se forem devidamente canalizadas ou represadas, certamente servirão de impulso ao progresso na geração de energia e trabalho. [...] Todos estão integrados no contexto espiritual favorável ao crescimento de suas almas. Se algo o incomoda, procure corrigir a si mesmo, rever seus sentimentos e emoções e renovar suas atitudes perante a vida. Direcione seus pensamentos e sentimentos e interprete tudo pela Ética do Eterno Bem, entendendo, meu filho, que você dispõe exatamente daquilo e daqueles de que mais necessita para o seu aprendizado.” (PINHEIRO, 2007, p. 46)

Ainda em suas mensagens:


“Pai João, pensativo, talvez deixando amadurecer em seu pensamento uma lição para o filho pessimista, responde, com seu jeito matuto: Nego-velho não sabe muita coisa dos bons espíritos não, meu filho. Eles estão elevados demais para pai-velho. Só sei que daqui não saio de jeito nenhum e peço ao Pai forças para continuar neste mundo de meu Deus. Acho mesmo que nós precisamos ficar aqui por muito tempo, usando o colírio da simplicidade, a fim de que possamos aprender a ver as coisas boas. Somos seres tão atrasados, e o mundo é tão cheio de maldade! Após ligeira pausa, ele prosseguia: Graças a Deus o mundo está pra acabar. Mas a estação terminal é para a fofoca, o ciúme, a inveja e a intriga. Vocês já viram gente ocupada ter tempo para intrigas? Nosso compromisso, meus filhos, é com Jesus e com o bem.” (PINHEIRO, 2007, p. 112)

"Somos os únicos responsáveis por nossos atos"

Pai Inácio, “Nas Ruas de Calcutá” por Robson Pinheiro


Um outro lindo exemplo, dentre muitos dos Vovôs e Vovós, é o de Pai Inácio, no livro “Nas Ruas de Calcutá”, por Robson Pinheiro. Pai Inácio, por meio de sua trajetória de erros, escravidão e redenção, ensina que a transformação espiritual começa com a consciência dos próprios atos e da responsabilidade por eles. Ao reconhecer suas falhas e entregar-se humildemente ao serviço do bem, alcançou luz e evolução moral. Sua fé persistente, mesmo nos momentos mais sombrios, o sustentou e o impulsionou à caridade. Esses ensinamentos, vividos em sua própria história, funcionam como exemplo educativo para todos que o escutam. Ele mostra que humildade, fé e ação consciente são caminhos seguros para a verdadeira libertação espiritual.

As Vovós espirituais, como Vovó Catarina e Vovó Maria Redonda, mencionadas até aqui, representam o feminino acolhedor e sábio do plano espiritual. Elas não impõem, não julgam, não condenam. Antes, ensinam com a doçura firme de quem já passou por muito, mas jamais perdeu a fé no Criador e no ser humano. São verdadeiras educadoras da alma, que resgatam valores esquecidos pela pressa do mundo moderno, como o respeito aos mais velhos, a escuta atenta, a força do perdão e o valor das pequenas ações feitas com o coração. Na Umbanda e no Espiritismo, elas são exemplos vivos da união entre amor, humildade e sabedoria espiritual.

 

Representação mística de Vovó Nanã Baruquê, presente na mitologia da Umbanda e Candomblé.
Representação mística de Vovó Nanã Baruquê, presente na mitologia da Umbanda e Candomblé.

“HUMILDADE – não exaltar os feitos, porque isso só interessa, e serão enaltecidos na dimensão espiritual. Seja submisso ao amor, e não espere reconhecimento.”

Vovó Nanâ Baruquê


Vovó Nanã Buruquê, associada à ancestralidade mais antiga e à energia da Terra Mãe, transmite em suas palavras a paciência milenar do tempo. Seus ensinamentos giram em torno da aceitação dos ciclos naturais da vida, da sabedoria contida no silêncio e do entendimento de que a humildade não é fraqueza, mas força interior que se reconhece limitada diante da grandeza divina.

 


Vovó Anastácia
Vovó Anastácia

“A maior crise é aquela de dentro do próprio homem: são os seus pensamentos negativos e suas emoções pesadas.” [...] “não é brinquedo místico… Se tem ego, danou-se!”

Vovó Anastácia


Vovó Anastácia, frequentemente lembrada por sua imagem sofrida e ao mesmo tempo iluminada, representa a superação pela fé. A despeito das dores vividas na carne, ela ensina que nenhuma injustiça humana é maior do que a justiça de Deus. Com fala pausada, ela convida seus filhos espirituais a perdoarem, a não alimentarem o ódio e a cultivarem a mansidão. Assim como Emmanuel, espírito guia de Francisco Cândido Xavier, que em Caminho, Verdade e Vida afirma que “a humildade é a chave da porta estreita”, Vovó Anastácia mostra que suportar com dignidade os fardos da vida é também uma forma de sabedoria espiritual.

 

9 - O Amor como Verdade Universal:


“se não puder amar, ao menos não magoe; se puder amar, então abrace, mesmo em pensamento”.

Um Preto Velho

 

O ensinamento primeiro será sempre o do Cristo, Jesus. Assim, para os Pretos Velhos, em concordância com o ministério da Luz do Mundo, o amor é a única lei que realmente importa. Os vovôs e vovós ensinam que o Amor deve sempre acolher sem julgar, entender sem perguntar, perdoar sem cobrar. Suas palavras, seus gestos e até mesmo sua presença devem transmitir o amor em sua forma mais pura. Pois é pelo amor que cura, pelo amor que consola e pelo amor que desperta que tudo se transforma.


A Umbanda, em sua essência, é uma religião do amor prático. E o Espiritismo, em "O Evangelho segundo o Espiritismo", coloca o amor ao próximo como base de todas as virtudes. Os ensinamentos dos Pretos Velhos, não fazem frente aos preceitos de religião, muito pelo contrário, pois a sua simplicidade é convite contínuo a universalidade dos conhecimentos em um mesmo lugar. Há espaço para todos. Logo, seus ensinamentos agregam e congregam representando a pureza advinda da espiritualidade maior e as durezas compreendidas nas dificuldades mundanas. Os seus ensinamentos são a manifestação viva de amor espiritual em comunhão universal. Eles nos dizem: “se não puder amar, ao menos não magoe; se puder amar, então abrace, mesmo em pensamento”.

Imagem representando o Apóstolo Paulo em suas peregrinações no ministério do Cristo, Jesus.
Imagem representando o Apóstolo Paulo em suas peregrinações no ministério do Cristo, Jesus.

Paulo define, em 1 Coríntios 13:2 que “ainda que tenha fé e ciência, se não tiver amor nada sou”. O Espírito Protetor por Allan Kardec no capítulo 11, item 13, do Evangelho Segundo Espiritismo nos diz que: “[...] a caridade, sem a fé, não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de os tornar felizes”.  Na Umbanda Rubens Saraceni nos diz: “um mago… não precisa ostentar. Foi na humildade que nos deu a maior de todas as lições” (SARACENI, 2005, p. 123):


"Fio, a caridade é a ponte que liga a terra ao céu e é a chave que abre as portas do céu." 

Os Pretos Velhos observando dialogam dizendo: “se não puder amar, ao menos não magoe; se puder, abrace — mesmo em pensamento”. Essa síntese entre Umbanda e Espiritismo expressa o amor como força transformadora do ser.

Ao longo desse texto, buscamos revelar o valor dos ensinamentos espirituais dos Pretos Velhos, entidades que carregam em si a grandeza da humildade, a sabedoria da simplicidade e a profundidade do amor. Não vieram para impressionar, mas para iluminar. Com seu jeito manso, sua fala tranquila e seu coração cheio de fé, eles apontam um caminho possível para todos nós: o da reforma íntima, do perdão, da paciência, da humildade e da caridade.


Os Pretos Velhos nos mostram que o verdadeiro culto está no coração. São faróis serenos no mar agitado da vida, guias silenciosos que caminham ao nosso lado, sempre prontos a nos dizer:




“Fia, se o caminho tá difícil, reza. E anda. Que a luz vem”.

 

 




Compartilhe conosco se gostou do texto e deixe os seus comentários sobre algum tema que você gostaria que abordássemos no Cantinho dos Anciãos.

Se possível compartilhe o nosso site Cantinho dos Anciãos em suas redes sociais.


Amor, Luz e Paz Sempre!

Salve a Grande Luz!



Ruan Fernandes

Equipe Cantinho dos Anciãos


Referências Bibliográficas:

EMMANUEL (pelo médium Francisco Cândido Xavier). Paciência. Editora Cultura Espírita União, 1990.


KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Tradução de Guillon Ribeiro. FEB - Federação Espírita Brasileira, 2013.


KARDEC, Allan. O Espiritismo em sua mais simples expressão, máximas sobre humildade, egoísmo e caridade. Portal Luz Espírita, 2019.


MATTA E SILVA, Woodrow Wilson da. Lições de Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto‑Velho. Ed. Ícone, 2007.


MATTA E SILVA, Woodrow Wilson da. Umbanda: Sua Eterna Doutrina. Ed. Ícone, 2018.


PINHEIRO, Robson. Sabedoria de Preto Velho – Pai João de Aruanda. São Paulo: Tecmundo, 2007.


PINHEIRO, Robson. Pelas Ruas de Calcutá. São Paulo: Psicografia, 2010.


SARACENI, Rubens. Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada. São Paulo: WEGE, 2005.


SARACENI, Rubens. O Código de Umbanda. São Paulo: Zahr, 2008.


SARACENI, Rubens. O Livro dos Médiuns de Umbanda. Editora ECO, 2009.


bottom of page